Passei a ser a meus olhos uma personagem de romance. Qualquer intriga romanesca precisava de obstáculos e malogros. Inventava-os. (Simone de Beauvoir in, "Memórias de uma menina bem comportada")
Mostrar mensagens com a etiqueta Simone de Beauvoir. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Simone de Beauvoir. Mostrar todas as mensagens
04 março 2010
24 setembro 2009
O sangue dos Outros
"Algo permanece que ainda não está ausente de si mesmo mas sim ausente da Terra, ausente de mim. Ela respira ainda uma vez, os olhos embaçam-se, o mundo desprende-se, desmorona-se; contudo, não desliza para fora do mundo; é no seio do mundo que ela se torna esta morta que tenho nos meus braços.Rosto amado, corpo amado. Era sua testa, eram meus lábios.
Ela deixou-me mas eu ainda posso amar a sua AUSÊNCIA."
- O sangue dos outros - Simone de Beauvoir
01 julho 2009
Simone

Protegida, mimada, divertida pela incessante novidade das coisas, era uma menina alegre. No entanto, havia alguma coisa que não batia certo, pois tinha ataques de fúria, atirava-me para o chão, roxa e com convulsões. (...) Berrava tanto e durante tanto tempo que várias vezes no Luxemburgo me tomavam por uma criança mártir.
«Pobre pequena», disse-me uma vez uma senhora oferecendo-me um rebuçado. Agradeci-lhe com um pontapé. Este episódio fez rumor; uma tia obesa e com bigode, que escrevia, contou-o na Poupée Modèle. Eu compartilhava da admiração que inspirava a meus pais o papel impresso: através da história que me leu Louise senti-me uma personagem; pouco a pouco, no entanto, comecei a sentir-me envergonhada. «A pobre da Louise chorava às vezes amargamente, lastimando as suas ovelhas», escrevia a minha tia. Louise nunca chorava; não possuía ovelhas e gostava de mim: e como era possível comparar uma menina a umas ovelhas? Suspeitei a partir desse dia que a literatura tem uma relação muito incerta com a verdade.
"Memorias de uma Menina bem Comportada" Simone de Beauvoir
Este livro, não sei onde o tenho, li-o com a mesma vontade com que o enchi de nodoas porque o levei comigo a todo o lado até o acolher em mim. O melhor retrato de infância, para quem não se lembra dos antagonismos e dos acasos, dos deuses e diabos, do céu e da terra, de amar e odiar, que o leia. É preciso!
02 abril 2009
30 janeiro 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)


