09 dezembro 2010

Armo-me de mãos cheias de coragem, ponho a minha mascara inimiga, defronto o tudo e o nada e digo, "não tenho medo". Cá dentro, estou tão assustada...
De madrugada, faço a viagem, invento paisagens novas, invento contos e viajo mais que a estrada em pensamento, afasto esta verdade que me magoa, penso mais à frente, penso tanto... Verdade com sabor a culpa e consciência amarrada, com uma vontade tão grande de traduzir o que me invade por dentro.
Estou cansada de palavras coloridas, de narrações descritivas da claridade aos olhos de tudo. Apetecia-me sentar-me numa rocha, falar do que não gosto, do que não se fala em lado nenhum, da maldade que por vezes me assola, apetecia-me ser inteira e não me sentir perdida.
E eu consigo. Sem dar por isso, caminhei até aqui. Colori as salas vazias, os silêncios, andei por sitios sem querer saber onde estava, quase me despedi de mim, gritei alto quanto podia, aprendi a contar comigo a dar-me sentido. Sou a minha companheira e a minha madrasta, esqueci-me do quanto quis ser amada e desta sede enorme cá dentro de ser, apenas isso. 
Enumero em crescendo, cada erro, cada passo, isolo-me porque preciso. Conheço bem a minha mascara, em cada olhar que me elogia sem me ver, em palavras precisas e vazias, palavras bonitas que não me dizem nada. Porque a verdade é tão mais que isso, é esta face assustada que vejo agora molhada.
Tenho medo e sei que consigo, é só mais uma caminhada, mais uma sala vazia.

Escrevo e rasgo-me por dentro e respiro, sinto-me una e desencontrada. 

3 comentários:

Manuel Poppe disse...

Leio-a, sempre, com admiração e prazer. Um beijo.

Manuel Poppe disse...

Como não tenho outro meio venho por este deixar-lhe um grande beijo e os meus votos de FELIZ NATAL!

Fernando Alberto disse...

Tão real e tão intenso. Despercebidamente levo e partilho no FB.
Obrigado