15 agosto 2011

Lethes

Gravado no granito majestoso que sempre me fascinou, li dizer a lenda que ali existia a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos, que o Lethes transposto, oferecia o esquecimento ao qual me apego na duvida se seria a dádiva, vida ou morte. Esquecer é renascer ou antes morrer de um pouco de mim?
A distancia temporal dá-me vida e clareza, na culpa, na vergonha de ser pequena e mesmo assim, ouso não querer esquecer, morrer ou reviver mais ainda. A distancia da minha janela que amanhece todos os dias, tal como eu, clama vida, e neste rio, renasci, como aprendi em cada viagem, em querer saber, e morrer assim, ou renascer.
E o cheiros que vivi? O cheiro fresco dos poejos abraçados à corrente, desfocada da algazarra festeira e da romaria, perdi-me nas lendas e no alcance, nas pedras magnificas esculpidas de historia e revivi ser eu ainda apaixonada por ideais erguidos em mim, feitos de imagens e sonho, irreais de tão sentidos.
Preciso tanto destes momentos, de desordenar o caos que me ordena e sufoca, de ver cores e ouvir gentes perder-me de olhar e sorrisos quentes, sentir a chuva na pele quente de cansaço, e de repente morrer um instante, para nascer em mim. 
Esquecer é tanto morrer como perder a herança que me fez assim. Por isso, sem hesitar, atravessei o Lethes para me lembrar, sempre.

2 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida

O teu texto fez-me voltar no tempo...ao regaço da minha infância e ao meu querido Alentejo...aos braços da minha mãe.
Não me perguntes porquê...senti apenas isso.

Adorei como sempre e deixo um beijinho com carinho.

Rosa

Marta disse...

és tão linda!

[andas a Norte?]

bjos, muitos, marta