18 maio 2009

4 estações

Enquanto as 4 estações se anunciam lá fora em espaços compassados, entre o quente transpirado e o fresco humido, sento-me na quase vã esperança de descansar, de respirar ao mesmo ritmo deste tempo que tomou conta de mim.
Abri as janelas, mais para me deixar levar onde a minha alma já está. Na primeira onda, envolta neste nevoeiro quente, parte de mim está com minha irmã, imaginei-a de olhos fechados, sujeitas ao que as mãos de quem nos amará, ditou na pretensão de nos ensinar? Como me custa acreditar nisso...
Antes de acordar, antes mesmo de chegar, outra parte ficara, encontrada, tão cheia de vida, tão despida dos ensaios desta vida, para além do mar que cruzei, partida de mim e chegada de alguem que construi, com pedaços enfeitados e coloridos, doces e amenos, tristes e melodiosos, vida em mim sem o ser.
Em frente a este mar cinzento, envolto nas pedras negras que me fascinam, apanho-as e lanço-as para longe, no mesmo movimento de cada ideia, cada sobressalto , cada guerra entre ser, viver, sonhar. É como se cada movimento me libertasse do peso demasiado, da ironia deste tempo em que os caminhos se multiplicaram e cruzaram, onde os horizontes me confundem e ofuscam, onde me debato entre a vida que existe e a que nunca senti. Transbordo de vida enquanto me adormeço, sentada agora entre dois poentes. Meu Deus, como me apetece saber rir, ou antes, descalça e cheia de crenças que nunca senti, seguir meu fado, minha vida e de mãos juntas agradecer assim.
Há vida em mim, vida chegada quando já esquecia. Quero tanto este sol que me ilumina antes mesmo de saber acordar!

2 comentários:

cardilium disse...

deixa o vento sopra-te palavras vindas da terra que semeaste !...

Teresa Queiroz disse...

uma guerra eterna