22 março 2010

Pendidas, numa vontade que se distancia de mim, as minhas mãos estendidas ao longo do meu corpo, eram antes a expressão do meu horizonte. São minhas, caídas, despedidas de fonte de vida, pequenas, são agora as veias que me ligam à terra  quente. Entrelaço-as, de vez em quando, nas pernas traçadas sobre o chão. São laços, abraços envoltos em mim, carinho escondido de uma serra enfim sossegada.
Ouço as cigarras, finalmente despertas, ouço o som das estações renovadas. Caem as minhas mãos pendidas neste espaço ausente e presente de vida. 
Mãos tão cheias de silencio no meu regaço, no turbilhão de laços e mãos a que não pertenço.



2 comentários:

Leonardo B. disse...

[haverá no universo maior desafio, incógnita, que o nosso corpo? Onde a metáfora?]

um imenso abraço, Milhita

Leonardo B.

Miguel disse...

E será que não pertences? A nossa relação com as coisas e com as pessoas tem por vezes desígnios tão misteriosos, que uma presença mesmo ausente pode significar tanto em termos de vida.