06 março 2010



Trato-me bem, trato de mim, no propósito desconvicto de um amanhã que me tenha. É urgente que assim seja.
É preciso!!!

Corre-me um formigueiro nas veias desde manhã.  Tenho pressa de sitios, de coisas, de livros, tenho uma vontade renovada de me tratar. Encho-me de musica, de leitura, lembro o sinal de perigo. É urgente tratar de mim, alma incluida. Não me apetece discutir-me, porque os deuses não me perguntaram antes, não me apetece divagar acerca de sementeiras, colhi tanto que não semeei.
Querer-me-ia eu? Claro que sim, há luz em mim... E o que alumia? Não sei.
Não vai ser mais forte que eu, esta febre, esta sorte, esta treta que não nego mas não quero nunca conhecer.
Há um mundo cá dentro, só meu, intransponivel, inconquistavel, tem a chave da verdade, porta de entrada de medo e uma janela de espanto. Vou lá de vez em quando e, quando volto, olho em volta e agradeço esta nevoa que me assoberba, que me envolve e me quer anonima na multidão.  Solto gritos e risos em silencio, não penso, não posso. Tenho tempo, sou forte, de alma cortada mas crua, de olhos vendados mas postos nas madrugadas de mim.
Sem defesas, sem um exercito armado para me defender, ergo uma espada de prumo, perdoo-me antes de me pedir e num segundo, vejo tão claro, este mundo que nunca quis habitar.
Nada mais importa, senão a reserva cimeira de me albergar, cegar-me de vida, doar-me poder e simplesmente não deixar.
Vai passar.