21 junho 2010

Solsticio

Hoje, lembrei-me de uma história que a matemática me ensinou, uma história dispersa no contexto, encantada de imagens que construi... Imaginei a praça concava de Siena, os passos ancestrais, as ruelas que embocam ali, os vasos coloridos nas janelas e as caras morenas sentadas nos degraus de pedra quente, ao meio dia. E nesse instante andei no tempo, enquanto aspirava a mesma historia pintalgada de mistério.  Pitagoras, aquele homem enorme, de barbas brancas como impunha na altura, e uma vara que valeria mais que um conto. erguida por lição no mesmo instante que a via.
Nesse momento, tudo é claro, tudo é dia, os contornos formam-se em relevo, não há sombra que ligue os corpos ao cinzento, e os astros deixam um rasto de ensinamento, deuses esbeltos nos olhos de quem ousaria ver mais que via.
Deste dia, fiz claridade de mão beijada, de desejo inflamado e falado nos meus olhos presentes, de ventania fiz memoria e de um mar agitado, celebro o mesmo momento que me ilumina acompanhada de mim.
Fiz ainda, cada dia, meio dia, meia vida, fiz alegria sentida, numa tarde que em a calmaria haveria de encher-me a mim, celebro baixinho sem medo, cada memória que guardo, cada conto que me houve ser contado, cada história e enredo, um travo de mais conhecimento e este tempo, este caminho, esta neblina ainda menina que me me enebria por dentro. Não de alegria de Verão, um sorriso pequeno, um olhar estonteante para cima, erguendo o pescoço o mais que possa, olhar o sol e agora a Lua e ficar assim, ,meia tonta!


Com a mente à volta, os braços abertos, como no tempo de menina em que rebolava por uma encosta até não saber parar, levei-me mais longe, onde as pedras silenciosas perpetuam a homenagem. Danço sem par, sem compasso, danço ao som dos elementos, danço de sentidos que me despertam cá dentro, e assisto em silencio à magnificência tamanha da vida.

3 comentários:

Jorge disse...

As minhas coordenadas cósmicas trouxeram-me, mais uma vez, até aqui neste solstício.
Gostei do texto e desejo-lhe uma semana luminosa.

Sonhadora disse...

Minha querida
Soberbo texto...muito belo.

Fiz ainda, cada dia, meio dia, meia vida, fiz alegria sentida,

Beijinhos
Sonhadora

Luis Mota disse...

Bonito. Sabes que estive lá neste dia? E no de Inverno também. Foi qualquer coisa trancendental. Estavam mais de 20 000 pessoas; e o facto de este ano se ter visto o Sol nascer fez da celebração algo que nunca tinha visto. Brevemente ponho uma nota no Terminal e algumas fotos.
Fui de mão dada comigo...pois, tambem eu e acredita que não fui nada mal acompanhado. E vim melhor pessoa.