02 novembro 2009

A hora do Lobo eterno



Eram os loucos anos 80, mais que os 70 porque esses, vivi-os na ingenuidade de que o mundo era cor de rosa e que eu havia de ser veterinária para salvar todos os animais. Loucos porque nesta década descobri a minha insustentável forma de ser. Porque o meu quadro abstracto, me transpunha para todos os sítios e todos os tempos, não me reconhecendo inteiramente em nenhum.
A meio desta decada, descoberta noutros lugares de horizontes musicais diferentes, tornei-me seguidora convicta das preferências de um senhor de voz calma e grave, timbrada, constante. Lia o Blitz e corria para casa para ouvir o "Som da Frente". Podia tecer uma teia de musicas que me acompanham até hoje, alternativas de sentidos que insatisfeitos buscavam mundos.
Foi o unico programa que nos presenteava com a minha referencia, "Cocteau Twins, Dead can Dance e This Mortal Coil", são muitos, muitos!
Este ano pródigo em despedidas de teimosos artistas de letras, sons e imagens, reclamou mais um.
Numa hora de um uivo latente que permanece em mim, ficam imagens de uma adolescência enaltecida por um senhor que primava pela diferença.

4 comentários:

bonequinhoda bic disse...

Tenho pena.Gostava de ouvir o velhote.
A ultima vez que o vi foi no 5 para a meia noite na 2.

Luz disse...

Amiga,
Como me revi neste teu tributo ao António Sérgio, afinal somos ambas de 70!
Também eu estava sempre ali com o rádio a ouvir o som da frente, todas as novidades que aquela voz pausada e quente nos dava a conhecer diáriamente.
Grandes bandas dos anos 80 que ficaram para todo o sempre como as que citas e que também fazem parte do meu elenco e, muitas outras.
Já percebi que partilhamos não apenas o gosto pela escrita, pelo sentir como pelas mesmas bandas.

Obrigada a ti também por fazeres aqui uma homenagem a um grande vulto português que deixou tanto de si em nós.

Abraço

Sonhadoremfulltime disse...

Boa noite,
não podia estar mais de acordo com o que aqui está explanado.
Apenas a diferença que eu vivi mais os anos setenta, porque também sou um pouco menos jovem... e a loucura sã desses anos foi vivida de forma contundente e plena de existência. Uma vivência que me fez de mim o homem, o ser, o sonhador.
Um abraço

AnaMar (pseudónimo) disse...

The Sound, Pavlov's Dog...e tantas outras descobertas que nos ajudaram a crescer.
Bonita homenagem.