22 abril 2010

Longe vão as horas do ocaso
Sol poente como o tempo
Que em vermelho se despede

Longe das trevas e da nascente
Faço o pão que me forma
migalhas de um todo
de formas e acasos
Contornos de uma asa de outrora
Voo de passaro

Longe me ficam os passos
de um andar sem expressão
Velas de um barco sismado
Das marés antes vazias
Deste cais anunciado
Preso à margem
Livre do chão

Longe me soam os ventos
as horas sem relevo
e o eco da voz que não me é
Solto um sorriso em silencio
na liberdade desta maré
Vazia, crescente,
Tela branca carente
Mar de chamas, falta de fé.

2 comentários:

Leonardo B. disse...

[vago o mundo, vago o lume, vago o todo quando condensado... na palavra renasce, como se a penumbra fosse ventre de serviço da palavra mundo; e porventura, até será!]

um imenso abraço, Milhita

Leonardo B.

Luz disse...

Querida amiga da alma de Luz,
Como ecoam em mim estas tuas palavras que me fazem vislumbrar um horizonte que não quero perder por tanto o querer.

Beleza de palavras de sentir alma pura que és!

Abraço forte da Luz

(Podes também encontrar-me em www.asamdepe.blogspot.com, mais um cantinho meu!)