09 maio 2010

Nuvem



Escorre agua na minha janela, e um assobio estranho, ouve-se nas portadas e fechaduras. Lá fora, haviam caras e danças, musica e uma mescla de perfume adocicado que me não deixa ouvir mais. Como eu gosto de sentir este cheiro de terra molhada, este aroma de outro tempo misturado com o agora. 
Apetece-me este chá que bebo, apetecia-me saltar à corda e fazer legos, não tenho sono, acordo-me de uma soma de promessas e cortejos que passando, não ficaram mais do que o tempo de me fazer crescer. Palavras quase ditadas, ensaio já gasto, sem corpo. Na multidão composta de aromas e movimento, sobressaem os elementos silenciosos que me descobrem no olhar.
Brindo de agua o caos ordeiro, o preenchimento do meu esvaziar, de escolhas e cores que não peço, não esqueço por nunca me lembrar, um segundo, uma hora, tempo que me deixa chegar. 
Há um campo em mim por semear.


2 comentários:

Ana disse...

Terra fértil de imaginação, disponível para novas sementeiras, novos frutos, novas viagens, cores, sabores....
Bj

Manuel disse...

Alguém um dia disse que se podia tirar poesia de um cardo agreste do campo.
A milita é o exemplo disso.