28 fevereiro 2009

Acreditar

Há uma calma que associo à capacidade de acreditar, como preenchimento de um espaço que, sendo meu, se completa com a glamorização da vida. É como o alivio de entender que o inicio em mim, tem retorno no que me rodeia; o crescimento de um intelecto farto de interrogações, a descoberta em cada vivencia de olhar, entender cada lição em cada passo, em cada amanhecer.
Há algo mais.
Há um momento desperto em que entendo, que apreendo, há o tanto que ainda não sei, há a rendição às não verdades inquestionaveis, há a negação hoje, de valores inabaláveis com que cresci.
E depois há um sorriso.
Por saber que mais haverá, sempre.
Como poderei algum dia não procurar esse crescimento em cada caminhada que percorro? A descoberta de mais um horizonte ao virar de cada esquina da vida? Como poderei não reparar que o meu olhar, a cada dia, se torna diferente na forma de ver?
Entendo o precisar de andar.
Entendo as formas caricatas com que a vida me ensina, como metaforas e paradoxos por interpretar, entendo este eterno e revigorante questionar; cada culminar, guarda lições e abre novos caminhos. Revejo motivos, transbordo de sentidos, como se desta simbiose dependesse a razão de estar .
Agradeço o que não sei.
Fica a certeza deste caminhar.
Se naquele dia que copiei um ajoelhar submisso perante algo que não sinto, não tivesse ouvido em mim o mesmo grito de alma que me acompanha, seria talvez agora a fonte esgotada e parada à espera de outra nascente, carente e dormente.
Tenho pedrinhas na minha mão fechada por cada episodio que protagonizei em vivencias contrarias, fui tantas quantas as precisas para as viver, perdi-me para mais tarde saber o lugar de me reencontrar. Nunca será este o meu eterno lugar.
Trarei sempre comigo o que a vida me ofereceu com o mesmo carinho com que me foi dado.
Páro apenas para mais um sopro de respirar.

1 comentário:

cardilium disse...

saltitar de estrela em estrela, enquanto a lua crtesce com o teu olhar :-)