11 fevereiro 2010

Antinomia

Resulta do que de mim partiu, resposta à questão enublada, à noite que deixei que se abatesse, parada, sou capaz , ainda cá estou, uma pegada pequena mas feita de mim.
Olhei a pauta, não sorri, não pulei de contente, olho-me e respondo-me com todas as letras pela contradição que fiz de mim.
Tento, neste tempo, arrumar cada gaveta empoeirada  de aporias, tento ver-me o mais longe que posso dos conceitos que me defini, do medo de razão que me quebrou e desmembrou em imagens sem cor, distantes do que guardo e sou. Desadequada e magoada, calcorreio o passado, não procuro a explicação, procuro o sentido  do meu paradoxo. 
Procuro no mais fundo de mim, cada pedaço capaz de me calar para sempre, do medo induzido, deste veneno que me mata e não me deixa viver.
Não me vale recordar das conquistas meias, das lutas travadas, das guerras ganhas, importa-me sentir a vontade genuina de lutar por mim, da vergonha de o não fazer, dos valores que escondi, do respeito, do melhor e pior que guardo. Importa-me a coragem que esqueci.
Passam dias que sinto mistura de loucura e de uma sanidade repentina que não sei de onde vem, não falo com ninguém, rendo-me à necessidade de olhar-me de frente, zangar-me, ofender-me, abraçar-me de dentro, crescer de uma vez. Penso em ganhar e perder como um átomo de vida perante o rasgo de fogo que deixei cair em cada passo não dado. Penso no fruto do medo, o nada, na sede de me ser una e mulher mais que sonho ou qualquer, penso no que me devo, na vida que me habita cá dentro e que não deixei sair.
A sede torna-se aos poucos a expressão que me sai dos poros, dura, custa falar realmente das coisas, custa a dor e a culpa, custa mudar caminho, custa acreditar.
Penso no tempo, na antinomia de mim, assim não penso, sinto-me, tenho medo, sei que tenho, mas só passa se rasgar cada elo que me embaraça.
Prendem-me filamentos de ser menos, limitada, ser gargalhada final, nunca o saberei a menos que, como nesta pauta, me cale, me mostre de vez....

2 comentários:

Oculto disse...

Mostra-te, revela-te, não te escondas, deixa as mãos flutuar elas sabem qual o sentido de tudo o que sentes.

Beijo

Inês disse...

Deixei-te uma mensagen, só tu a sabes decifrar. Fico aqui, como sempre, à espera de um qualquer retorno, mesmo que subtil. Não sabes o quanto és esperada, não sabes mesmo. Fica ali, no meu espacinho, um espacinho verdadeiramwntw meu e teu, se o quiseres.