26 fevereiro 2010

Gustav Klimt, Árvore da Vida

Olho o tempo cinzento de uma janela, está mais frio em mim que lá fora. Olho a vida que passa alheia, olho as margens que já não me escrevem e os poemas que a noite anseia. Olho a chuva salgada que me molda, arruaceira calada, transpiro a seiva molhada de mil formas.
Em mim, sinto todos os lugares onde me vi florescer e sorrir, zangada, mando-os calar e eles falam mais alto que  a voz que treme desgostosa. A gargalhada assolou-me de tal forma que ecoa agora como trovoada. 
Da ira, restam agora cinzas espalhadas. Doi do tamanho de uma nevoa azulada num qualquer fim de tarde.
Mestria em esgrimir e encenar estares enquadrados e ritmos conjugados aqui e ali, não estou em lado nenhum e porém, ouço-me como nunca me ouvi.


6 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
faço das tuas palavras as minhas .
belo texto.

beijinhos
Sonhadora

Sonhadoremfulltime disse...

Amiga,
não diria melhor o que sinto e o que me vai na alma em permanente desassossego.


Bom Domingo

Brisa disse...

Olá milhita...
já há algum tempo que não nos "víamos"hem!!

As tuas palavras,reflete o sentir da tua alma.
Pode o teu coração estar " frio" no momento,mas.....!olha a vida lá fora.......!persegue os sonhos com realismo,acredita neles e aí verás que o Amor e a paixão entrará como uma flecha de cupido...

beijos

Miguel disse...

O cinzento do dia faz sobressair ainda mais o cinzento da alma, mas não nos podemos entregar sem luta. Amanhã, no espaço temporal ou apenas psicológico, será melhor e a chuva e as nuvens de hoje darão lugar a um Sol radioso, lá fora e cá dentro. Quanto às palavras, continuam a hipnotizar quem as lê, sempre com essa mestria na ponta dos dedos. Um bj.

Gisela Rosa disse...

Deixa acender o coração.


Um grande beijinho de admiração Obrigada!



www.alinguagemdosrostos.blogspot.com

continuando assim... disse...

nunca te esqueças que existem centenas de tons cinzentos :)

bj
teresa