08 outubro 2009

A quem interessar

Agradeço os riscos profundos que apareceram no meu carro.
Pinturas rupestres enterradas em chapa azul,com direito a cobra no capot.
Esta questão da desordem emocional tem muito que se lhe diga. Eu ainda vou aderindo a isto e transpondo em admiração a passagem dos tontos e tresloucados que sorriem em troco de nada.
Depois há os outros, os vazios dizentes. Os que fogem ou se escondem, sob a chama do protagonismo que nem lhes pertence. Assinem, pelo menos!!!
Eu ainda vou assentindo na maior parte do tempo em que nem me enquadro nem me ausento, vou estando... As madeixas e saltos altos que se espavoneiam e falam mal de tudo menos delas, as mulheres negras que julgam o que não sabem, os que se balançam no palco em que não ensaiam, os que sabem e não conhecem e os que julgam que sabem e nem pensam.
Há os artistas, os que criam e crescem interiormente e os que usam as telas criadas no vazio da ignorancia. Há os que destroem por prazer e os que veem prazer na destruição. Há os que mentem calados e os que falam sem dizer nada. Há de tudo. Até eu, que nem em mim me vejo.
Vou acabar a obra, tenho uns pinceis em casa, vou desenhar uns pés de rosa em cada risco, e uns balões de ar quente nas lacunas de tinta. Vou dar azo à minha veia. Isto para me tentar enquadrar.
Umas bofetadas de vez em quando, não faziam mal a ninguém, dizia a minha avó, que ao menos, bordava.
E agora, vou partir, voltar a aderir, noutra paróquia qualquer.

5 comentários:

Pedro Levi disse...

Ler-te é um prazer. Que qualidade, minha amiga.

Sonhadoremfulltime disse...

Mesmo fula é um prazer ler as palavras que se soltam dessa alma.
Quanto aos riscos, também sofro do mesmo.
Quem não sabe fazer nada... inventa.
Abraço

continuando assim... disse...

escreves de facto muito bem ! :)

bj
teresa

Sonja Valentina disse...

parabén pela capacidade de ter conseguido dar a volta desta forma....

Luz disse...

Excelente a forma como é descrito este momento. Quanto a todos aqueles que sabemos existir, de facto há-os por todo o lado e, o pior é quando connosco se cruzam, mas ainda assim é bom, aprendemos, logo tiramos partido da situação, sejam uns riscos ou, o quer que seja na nossa alma...
Dias melhores virão, acontece a todos enfrentar estes "riscos"...

Abraço