28 agosto 2009

Duas Luas

Já tarde, de volta com o meu amigo ao lado, olho o céu em volta, busco duas luas.
Esperei este dia anunciado, de duas luas, só uma de verdade, a outra fantasia, do olhar.
Desconfiada de anuncios pouco crediveis e convicções infundadas, documentei-me. Tratava-se da aproximação de Marte à Lua, existente há muito. Falara-se de aproximação, na verdade, Marte e Lua estão-se afastando, cada vez mais.
Invisivel aos olhos, insistente, olhei o céu em volta...
Vi a Lua, meia, brilhante, distinta, rainha do céu limpido e estrelado.
Maravilhada, num campo  entre o sopé de uma serra e o vale, bebendo o cheiro da terra, já tarde, o meu amigo comigo, aspirei o essencial.
A Lua, os astros, estes cheiros, o silencio calmante que esta noite me traz, apaziguadora da minha guerra, esta terra apregoa paz.
Num minuto, enlaço-me na noite clara de meia lua, recebo o abraço quente que precisei, peço força, peço esta luz, relembro as vozes serenas que ouvi, nos passos até chegar aqui.
A noite dos astros, nem era hoje.
Mas fiquei aqui e trouxe esta lua comigo!
Lua e calma crescentes, crentes, vi-me na face, unica, diferente, aspiro paz e respiro fundo, devo à minha vida tanto quanto lhe puder dar. Sou mulher, pequena, capaz  de me oferecer a essencia que me seduz, um lugar feito desta luz, uma planicie de onde regresso e um mar. Atraida, dorida, a lucidez alterna-se com o sentimento, sou filha da terra castanha e de um velejador de sonhos, de uma menina e de um lobo, sou o que trouxe do meu caminho, serei até chegar.

1 comentário:

Teresa Queiroz disse...

eu também recebi um mail com essa notícia de Marte e Lua , e não vi nada ... o que era de esperar . Porque ver Marte ao lado da Lua do mesmo tamanho ... nem quero pensar o que teria que acontecer !! :)