29 janeiro 2010

Chego, parto!

Noites feitas de conversas com a minha mente, feitas de partidas dobradas de raciocínio, mais que isso, de respirar espaços em que me reconheço. Noites de silencio, em que lá fora, os ciclos se fechavam como devolvidos ao leito apaziguado e grato. Eu, devolvi-me ao ventre de horizontes, deitei-me nas linhas infinitas e nas variáveis e constantes do meu tempo.
Descobri gestos novos, ensaiei um bailado de madrugada, feito de passos e prosa, ergui muros de pedra, e lancei-me fora  das horas e dos espaços. Fui agora. Fui crescendo, de cada face salgada, de cada palavra, fui crescendo para me tornar una. Sentei-me agora no cimo de um degrau que acabei de moldar, feito mais do que notas, simbiótico com a minha sede de me encontrar não pertencendo.
Caminho promissor de regresso a mim, encantada com os momentos que julguei não ser capaz e que me tornam agora acarinhada por mim. Sentei-me aqui, contente comigo, cansada, encontrada ou a caminho. Penso em cada segundo que duvidei, que me subtrai, nos outros que me ofereci crente de, em troca de algo meu que não me habitava. Lembro sentida tantas caminhadas, lembro a vida que me aguarda, trago comigo uma nota, num papelinho, duas faces, duas luas, um sol, e sete mares. 
Hoje, a sala branca era enorme, pintalgada de mim e de poucos que ainda guardavam o esforço de alcançar mais que um fim, um grito alto de dentro, contra cada ferida que ainda sangra, contra a pequenês de me julgar pequena, contra o medo, contra o cinzento e a imagem, contra tudo o que quero ter deixado no meu canto fechado. A minha mão corria receosa de perder a mente, essa corria de dentro de um sonho que acaba de despertar de noites sombrias, que partiram em romaria para o outro lado do mundo.

2 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
Lindissimo texto...muito nostalgico.

Beijinhos
Sonhadora

Zé Afonso disse...

Também gostei!

Fica bem

Bjnho