18 janeiro 2010

Palavras

Escrevo para entrever o que seria o mundo
liberto de si mesmo E sem imaginar
pouso no limite entre a luz e a sombra
para me oferecer à nudez de um começo

Há palavras que esperam na sombra contra o muro
para serem a felicidade de uma folha aberta
sem mais sentido que o perpassar da brisa
mas que abrem o mundo e de doçura tremem

Não é preciso polir a madeira das palavras
ou talhá-las como se fossem seixos
Há um lugar para elas no branco 

e não numa alfombra de ouro
e quanto mais frágeis mais frescura exalam
porque elas são a fábula do mundo quando a água o embala



António Ramos Rosa, "As palavras"

Um sitio que gosto de visitar


Porque me faltam palavras agora, que me respirem sem preço 
Porque ha um lugar em cada coisa e por cada coisa o seu tempo
Porque me vestem imagens na opacidade dos dias e das faces
Necessárias.
E na verdade ficam  momentos em que por sentidos, 
Me dispo e sou inteira
Raros.
É nessa altura que tremo, que tenho medo, que suo das mãos, que fervo na cara.
É nessa altura que não sei o que dizer, não sei o que fazer, e tenho este sentir tanto que me atordoa de nua que estou, que atraio cegueira.
Nessa altura, cumprimento-me, reconheço-me e desentendo-me.


E neste momento, encontro nas palavras deste autor
uma espécie de espelho da minha alma.


3 comentários:

Luz disse...

Amiga,
São tantos os momentos em que nos faltam palavras que expressem tudo o que sentimos..., e, encontramos nas palavras de autores que gostamos, com os quais nos identificamos o que temos dentro de nós, o que brota, o que sai da nossa alma. Este é também um dos meus autores que me conforta, que me apazigua e, onde me encontro!

Abraço de Luz

ampulhetas disse...

para isso nos servem os bons autores


bj milhita

teresa

Sonhadora disse...

Lindissimo poema.



E neste momento, encontro nas palavras deste autor
uma espécie de espelho da minha alma.

Adorei

Beijinhos
Sonhadora