13 janeiro 2010

Quisera

Quisera oferecer-me um verbo, uma palavra só, 
que me ensinasse a terrível e magna história 
com que os elementos se encerram, 
e a morte, que me queima a boca 
que semeio e rego de lágrimas 
que não param.


Quisera agora o sabor do medo, 
que corre serpenteado nas serras,
que se apraz do fim do mundo.
Quisera gritar alto um momento
de  saber, e assim,nada ser,
nada sentir de tão forte
que me estremece e torna apenas
voz insana de sentimento.


Quisera escrever tanto até gastar a dor, 
matar-me cá dentro, renascer.
Quisera não dizer 
que amar foi a unica coisa que fiz sem saber
a lágrima mais profunda que de mim saiu
o principio e o fim do meu credo
margem que me via
nas visitas de nevoeiro
que  foi assim, tão mais que isso
Sorriso que não escondi de ninguém
só porque ele me havia sem aviso


Calar esta alma onde moro e não estou
Que nada nem ninguém vislumbrou
Quisera agora ter um colo onde me embalar
Deixar-me sossegada
Quisera entao ser mulher
cigana, desbocada, usurpadora de alma
Quisera não ser
nada, nada.

2 comentários:

Sonhadoremfulltime disse...

Amiga,
é com esforço que te comento.
Pelos motivos que te disse e por seres tão misteriosamente idêntica a uma sombra que não me larga. A minha!


Abraço

.Leonardo B. disse...

[estremece a palavra, tamanha a ordem da tábua, dessa ordem da matéria; palavra move a montanha]

um imenso abraço

Leonardo B.