30 janeiro 2010

Só me falta um exame, não é que me prepare para ser analisada, é só a ultima etapa de mais uma escada, de mais uma época, de mais qualquer coisa.
Direito, é o que vou estudar, direito das organizações, normas que regem pessoas, que regulam seres desviantes. Não me apetece estudar direito, sabes ? O que eu queria agora era rumar ao ocidente, atravessar o mar e aninhar-me no teu colo, ouvir as tuas palavras, pedir-te  que me explicasses a ordem das coisas, mais que o direito que cada uma tem.
Estou triste, sabes? Não é por nada em especial, é como se o mais importante na minha vida se tivesse convertido na noite mais sombria, como um filme macabro, porque é assim feita também a ordem das coisas. Eu sei que ao longo da tua vida, aprendeste a rir-te, também me vou rindo, do egoismo, da hipocrisia, dos fantoches arcaicos, ri-me agora mesmo, ri-me pelo nosso "mau feitio".
Queria saber agora devolver-me as margens de cada sonho, queria querer bem, queria calar esta vontade tão negra de me rir, mas as gargalhadas sempre me fizeram bem. Tal como me ensinaste, oferecer um sorriso a mim mesma. 
Estou cansada de teorias, de mesquinhices, de pequeninisses, de hipocondriases e de gravidezes histericas de ideias parvas. Estou fria, sabes? Zangada. Normalizada, diria, porque a vida é mesmo assim, feita de nada e de tretas conjugadas e mentiras.
Eu sei que devia ser bem comportada, e continuar a sorrir, mas o meu riso é raiva, é visão clara da mentira, do auto convencimento tosco que, para mim, valha-me, continuar sem valer nada. O sorriso, não o encontro, já procurei, como me ensinaste, não o encontro.
Tenho saudades de tanta coisa, tenho os olhos vermelhos, tenho vontades que não quero, tenho vergonha de um dia me ter despido, minha nudez inimiga, estou meia perdida, e só queria agora o teu colo. Queimam-me as chaves no bolso, a carteira recheada, há uma voz tão familiar que calo a cada minuto, e não penso, não sinto, não quero.
Não estou aqui, sabes? Sei que atravesso qualquer coisa, mas acho que perdi tanto de mim e é por isso que sofro. Não te sei explicar o que sinto... acho que sofro por isso, é que não sinto nada e não sei de mim assim.
Vou estudar o Direito das pessoas.

4 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
lindo texto, real como a vida.
Queremos encontrar-nos, mas às vezes é difícil, porque perdemos a inocência...
Adorei.

Beijinhos
sonhadora

Sonhadoremfulltime disse...

Olá amiga do desassossego,
eu quero encontrar-me á tanto tempo...
Mas hoje a minha alma está amortalhada...

Abraço

Miguel disse...

Fica a sensação de estranhas prioridades que as pessoas têm, cada vez mais direitos que deveres, como se nos dissessem que há um caminho a seguir e de olhos vendados fossemos induzidos a ir por onde nos mandam. Fica a sensação de que se perdeu alguma coisa pelo caminho, a liberdade das opções, muitos dos sentimentos e eu não sei se gosto do caminho que escolheram para mim e dos lugares para onde vou. Tudo era tão mais fácil antigamente, mesmo o futuro como nós o víamos e desejávamos numa ânsia imatura. Felizmente não somos aquilo que mostramos, mas aquilo que sentimos e é aí, dentro de cada um que ainda vou descobrindo alguma beleza, uma fé que me leva a ir mais além do que hoje sou.

marta marques disse...

minha princesa...já á tempos ñ lia os teus desabafos...
tento telefonar..tento comunicar....
mas o tempo por vezes é inimigo ...e ñ nos permite um abaraço merecido..
já sabes que estou aqui para ti...sempre sempre sempre..