22 janeiro 2010

Gosto deste sitio, preenche-me e eu deixo-me nele, às vezes zango-me, escondo-me, outras sinto e desperto, escrever é um sopro de dentro. Sempre tive um diário, um caderno, um patrimonio de pensamentos dispersos num amontoado de papeis. Tenho guardados papelinhos que escrevi aqui e ali, rasguei outros por, sendo escritos por mim, não me pertenciam.
Gosto das luzes, abraçam-me palavras que por vezes recebo, e se recebo, é tão somente porque me mostro, de outra forma, continuaria no meu conhecido emaranhado de papelinhos que ainda cresce. Por vezes, leio-me e tenho uma sensação estranha, parece que me conheço desde sempre, ou então, não me encontro.
Convenço-me que sou de tudo, e nada me adjectiva, sou grande, pequena, sou diferente e estranha mas uma qualquer cara num mar de gente, sou humana e sou mulher, não sendo mãe, gerei o que a minha terra fez crescer, e assim farei. Sinto uma fronteira, entre cada elemento, cada sentido, como se pisasse a medo os opostos semeados em mim, colho ventos e calmarias cá dentro, semeio o espaço que percorro em momentos que não descrevo por não encontrar palavras. E há um meio, há um momento em que tudo se mistura e separa e de nada, o meu olhar ganha cores que não conhecia e despede-se de outras que já não brilham, sou eu que mudo, apenas.
Sou hoje o antes e o depois, não sei quem sou, não saberei enquanto me entontecer esta vontade de espreitar, de cheirar, de tocar, de ver, de errar, de ser comportada, de falar com as caras bonitas, de ser gente.
Sou ainda episódio, não sei a minha história, mas os meus pedaços são formas vivas do que sinto agora.
Não sou poeta, nem escritora, não sou esquerdista e muito menos messias com a mania que descobri a pólvora que ainda ninguém viu, não me descalço e subo para cima de cavaletes monologando ao vento utopia.
Na verdade, estas luzinhas aqui do lado direito, de caras desconhecidas que me acompanham, acarinham-me e oferecem-me sorrisos, em dias como este de kms demais, conversas interminaveis comigo, lagrimas e sorrisos e um mundo cada vez mais e menos estranho.

2 comentários:

Kimbanda disse...

A nossa vida é repleta de de buscas de nós mesmos no retorno que dos outros vem e do que espreitamos dentro de nós, em interminável série de episódios em que nunca antevemos como será o próximo.
A luz, essa estrela, não somos nós que por aqui seguimos os teus passos. Nós somos os astros e a luz vem daqui, do que escreves e por ser um lugar de sentimentos à flor da pele, onde nos revemos a cada passo e então seguimos essa luz, identifica-mo-nos e faz-nos bem encontrar essas semelhanças na forma de ver e de estar, faz-nos sentir menos solitários, afinal seres mais comuns.
Eu gosto de vir aqui!
Kandandu amigo e sincero.

Miguel disse...

Afinal não sou só eu que ando por vezes às voltas com os papelinhos cheios de pensamentos, apontamentos disto e daquilo que, por vezes, raramente, ouso transpor para o blogue. Obrigado por partilhares estes textos que eu percorro já com surpreendente avidez. Neles encontro alguns pontos de referência, outros nem tanto, mas sempre aquela escrita de que fala do que sente, que cativa e que faz com que esta cara desconhecida no lado direito tenha sempre uma luzinha, um sorriso, um ombro, uma palavra amiga. Tudo de bom.